Essa data foi estabelecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) para ressaltar a importância das mulheres na agricultura e identificar seus constantes desafios para que continuem tendo uma participação bem-sucedida no agronegócio.

A presença das mulheres no agronegócio não é uma novidade, elas sempre estiveram presentes em diferentes cargos e etapas do processo produtivo rural. Mais do que isso, o que se tem notado, nos últimos anos, é um aumento considerável no percentual de profissionais femininas atuando no setor.

Muito além das empresas familiares, elas têm buscado formação e construído carreiras na área rural. Estão cada vez mais claras as vantagens da inclusão da mulher e da diversidade de gênero no mercado de trabalho – no agro não é diferente.

“Há tempos a figura da mulher no agro deixou de ser secundária. Aquela pessoa que apenas apoiava o marido na atividade rural deu lugar à proprietária que faz a gestão da sua lavoura de ponta a ponta”, palavras da presidente da Agroligadas (entidade formada por mulheres profissionais do agronegócio), Geni Caline.

A mesma entidade realizou, e divulgou em 2021, a “Pesquisa sobre a participação feminina no agronegócio” em parceria com a Corteva Agriscience, a Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) e o Sicredi, e ouviu 408 mulheres que atuam no agronegócio, com média de idade de 40 anos, de norte a sul do país, e traz dados importantes:

- 93% das brasileiras têm muito orgulho de trabalhar no campo ou na indústria agrícola.

- 64% das entrevistadas acreditam que o problema da desigualdade de gênero ainda cerca a cadeia do agronegócio;

- Todavia, 79% afirma que a situação de hoje é melhor que há 10 anos atrás;

- 21% das entrevistadas está otimista que essa igualdade deverá chegar ao agronegócio em menos de 10 anos;

- E 90% dizem que é necessário dar visibilidade aos projetos de sucesso; aumentar a capacidade de treinamento e ter acesso ao crédito de forma igualitária, para que os investimentos em maquinários, processos e capacitação de profissionais possam seguir na mesma proporção que a dos homens.

Estudos mostram que as empresas preocupadas com a diversidade de gênero em suas equipes executivas são mais propensas a ter lucratividade acima da média e o agronegócio tem experimentado um crescimento nesse sentido.

O Congresso Nacional de Mulheres no Agronegócio é um exemplo disso. Considerado o maior congresso de mulheres do agro da América latina, o evento foi criado com objetivo de contribuir para o desenvolvimento e a ampliação da atuação das mulheres em diferentes esferas do agronegócio, tem sua próxima edição agora nos dias 26 e 27 de outubro de 2022.

 

Nota-se que muitas profissionais estão se formando em áreas relacionadas a agricultura e entrando no mercado de trabalho. Em feiras, eventos e leilões, elas representam um percentual significativo de participantes.

Somado a isso temos uma grande participação de mulheres realizando intercâmbio e estagiando em empresas e fazendas estrangeiras. As mulheres representam X % de participações em intercâmbios agrícolas já aplicados aqui pela Work&Trip.

Além de mostrarem toda garra brasileira, podem retornar ao país com toda uma bagagem internacional – o que com certeza será um diferencial na conquista de mais espaço e importância no cenário do agronegócio, ocupando cargos de liderança nas empresas. 

Temos enorme orgulho da participação de todas as meninas que aplicaram o Intercâmbio Agrícola conosco. Para demonstrar toda essa superação nós publicamos a experiência da Katiely no artigo: Mulheres, a força inexplicável! Superando expectativas no estágio remunerado nos EUA

 

 

Segundo o blog da Jacto, o último Censo Agro, realizado em 2017, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstrou que a cada dez líderes do campo, pelo menos duas são mulheres. Pesquisas mais recentes do mesmo instituto apontam que a participação feminina na administração das empresas ligadas ao agronegócio é de 19%. Em 2022, deve ser realizado um novo censo, e as expectativas são de que essa participação tenha crescido consideravelmente.

Um levantamento da Associação Brasileira do Agronegócio mostra que, atualmente, 31% das propriedades rurais brasileiras estão sob responsabilidade de mulheres - e muitas delas já nasceram lideradas por elas.

Durante a pesquisa para esse artigo, encontramos o exemplo da representante feminina do time de liderança da empresa Barenbrug, Jéssica Regina - Controller Financeira (responsável pelo financeiro, controladoria e compliance. Além disso, ela é a representante de um comitê global de jovens líderes que discute e sugere ações ligadas a assuntos pertinentes e estratégicos para a empresa, como sustentabilidade, inovação e atração de talentos.

Para Jéssica, ter o mesmo valor que a empresa na questão da mulher no mercado de trabalho é fundamental. “É muito interessante ver que a liderança da Barenbrug é favorável e incentiva a inclusão e a diversidade em suas equipes”.

De acordo com o relatório “Mulheres no Agronegócio”, a participação feminina ocorre principalmente em: Agricultura (trigo, café, aveia, sorgo, cevada, algodão, cana-de-açúcar, feijão, laranja e plantas ornamentais); e Bovinocultura como segunda maior atuação. Na agroindústria, se destaca o pós-colheita e o beneficiamento de grãos.

Outro dado interessante da pesquisa revela que a maior parte das mulheres, 73%, ocupa o cargo de administração geral nos negócios em que atua, e, em menor proporção, na produção, comercialização e marketing, finanças e recursos humanos. Destaque também para as influenciadoras do agro, que usam as redes sociais para compartilhar informações, gerar conteúdos e repassar informações relevantes sobre o setor.

 

Atualmente há diversos sites e perfis no Instagram e Facebook que trazem excelentes conteúdos voltados, majoritariamente, aos interesses das mulheres no Agro e aqui cabe um destaque especial ao portal “Mulheres em Campo” - primeiro site idealizado com o objetivo de incentivar a participação feminina no agronegócio como líder e empreendedora; e ao projeto “Agroligadas” formado por mulheres profissionais do Agronegócio, que tem como propósito conectar o campo e a cidade com verdade, ética, coragem, compromisso e amor, a partir de ações educativas e de comunicação. Resultado da união de mulheres fortes e protagonistas, que vivem pelo Agronegócio e lutam pela prosperidade do setor.

Neste cenário de evolução e de desenvolvimento do Agronegócio, como a agricultura de precisão, investimentos em tecnologia e melhoramento genético, novas gerações de mulheres vem sendo cada vez mais atraídas para trabalhar no campo. Observa-se uma saída da zona rural, em busca de qualificação e aperfeiçoamento, para voltar às propriedades com conhecimento, valor, soluções modernas e alternativas que contribuem para a rentabilidade dos negócios.

Portanto, mesmo com dificuldades e desafios relacionados ao gênero, o protagonismo e a visão holística das mulheres devem prevalecer com mais força no setor do agronegócio. Há muitas conquistas a se comemorar e, mesmo com a atuação profissional da mulher estruturada no mercado de trabalho brasileiro, há de se criar uma rede de apoio e de confiança entre mulheres de diferentes regiões. Este é o poder e a importância da comunicação, que precisa hoje integrar todos os elos da cadeia produtiva para que o setor evolua.

 

 

 

 

Fontes consultadas:

https://www.mulheresdoagro.com.br/

https://blog.jacto.com.br/mulheres-no-agronegocio/

https://www.barenbrug.com.br/mulheres-no-agronegocio.

https://revistacultivar.com.br/noticias/pesquisa-sobre-participacao-das-mulheres-no-agro-retrata-orgulho-da-profissao-e-aponta-desafios-para-igualdade-no-setor

https://www.avisite.com.br/o-futuro-do-agronegocio-brasileiro-passa-pelas-mulheres/

https://agroligadas.com.br/pesquisa/